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06/02/2006 14:19
PENSAMENTO SEM DESTINO

Nietzsche aconselha aqueles que desejam ser criativos a que construam suas casas debaixo do Vesúvio. Para quem não sabe, Vesúvio é o nome do vulcão que há mais de dois mil anos matou três mil habitantes de Pompéia e deixou a cidade italiana escondida durante séculos. Não precisei chegar a tanto.

No meio da conturbada falta de inspiração, tive o meu momento de glória. O meu hiato criativo. A manifestação de que o poeta dentro de mim ainda está vivo. Sim, poeta, pois para mim o que escrevo é poesia. Sem métrica ou rima, é poesia. A poesia sempre se me revela em prosa. O que me dá grande tristeza, pois eu gostaria de ter a graça de rimar.

Não sei rimar. Sem problemas, ao menos sei escrever. Não que meus textos sejam extremamente interessantes, os quais ninguém consegue resistir e, no final, acabam lendo. Não é isso. Eu sei juntar as palavras, sei dar sentido a uma frase. Isso já basta para me sentir, praticamente um ET, num país “em desenvolvimento”.

A partir de hoje, inspiração não irá me faltar. Descobri a formula mágica. Agora sei como fazer minha mente funcionar. Basta ler muito e... caminhar. Sim, caminhar. Quando caminho em lugares abertos, ou mesmo nas esteiras rolantes na academia, meus pensamentos ficam diferentes. Ficam soltos, num estado alterado da consciência. Ficam vagabundos. “Vagabundo”, do latim vagabundus, andar por aí, sem residência fixa. Pensamento sem destino. E essa liberdade mental organiza as minhas idéias e me trás de volta a velha e boa capacidade criativa.

Contudo, no dia em que eu envelhecer ou, por alguma razão não puder mais caminhar, posso voltar ao conselho de Nietzsche e, quem sabe, morar numa velha cabana de madeira no pé do Vesúvio. O importante é jamais perder a criatividade.


Até mais!!
enviada por Cayo Matheus






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