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03/01/2006 19:01
Política? Blah!
CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Para Platão, o primeiro e fundamental problema da política é que todos os homens acreditam-se capacitados para exercê-la, o que lhe parece um grave equívoco. A ineficaz e contraproducente política brasileira(desculpe Marcelo, mas o governo não dá chance) foi o tema mais abordado nos jornais durante 2005 e, para fugir do assunto, vamos mudar o tema, ao menos nos primeiros posts do ano.



NOVO ANO, VELHAS PERGUNTAS

Assim como uma Tsunami, o ano de 2005 chegou e se foi muito rápido. O Natal já passou, ganhamos presentes(ou não), comemoramos e comemos “aquela” ceia com familiares e amigos queridos, na igreja, em casa ou em alguma festa. Esperamos ansiosos a tão sonhada festa de reveillon, que já se foi, junto com as alegres canções que resgatam aquela velha esperança, esmorecida dentro de nós após um ano de revolta da natureza, terrorismo disseminado e de incontáveis maracutaias na política.

Dentre os episódios mais marcantes de 2005, nunca me esquecerei dos furacões com nomes de mulher, que arrasaram a costa leste dos Estados Unidos e dos tremores de terra no fundo do mar de 9,3 graus na escala Richter que causaram a Tsunami, o mais terrível acontecimento do ano, matando mais de 200 mil pessoas na Tailândia e países vizinhos. A Tsunami marcou o início dos 12 meses de pânico e apreensão conseguintes, mas deixemo-la para um outro post. Na política do Brasil figurou o mensalão, depois o mensalinho, o deputado-tenor, o presidente que de nada sabe... Indiscutivelmente foi um ano como nenhum outro.

É claro que se fosse escrever o lado negativo do ano que se finda, provavelmente ninguém passaria deste ponto na leitura, afinal, quem precisa ler mais tragédia no desabrochar de um novo ano? Façamos como o jornal Bird e vejamos o lado positivo de alguns fatos.

A revolta da natureza é benéfica em algum aspecto? Claro! Está sendo um alerta para a humanidade, mostrando que estamos tratando-a sem respeito algum, desconsiderando sua representatividade. Estamos poluindo tudo, causando um gigantesco desgaste ao planeta. A Terra está descompensada, está dando o seu grito de misericórdia pela vida em forma de eventos climáticos desastrosos. Alguém tem dúvida de que os EUA terão que tomar alguma providência depois disso tudo?

No caso do “mensalão e Cia Ltda” pensemos da seguinte maneira. Em todos os governos sempre houve corrupção e, ao menos desta vez, obtivemos alguns nomes para colocar na listinha de quem não devemos votar em 2006. Mas isso, também, é um assunto para outro post.

Em pleno século 21, detemos um poder tecnológico o qual nossos antepassados jamais poderiam imaginar. Dominamos técnicas de clonagem, erradicamos doenças que, no passado, dizimaram populações inteiras. Temos a internet que faz com que 10 fusos horários se encontrem em tempo real. Já inventamos a máquina de sonhar, a máquina da dor, já temos poder sobre a antimatéria, robôs em Marte e, paradoxalmente, a fome ainda ceifa 5 milhões de crianças todos os anos. Quando não matam, a desnutrição e a fome causam muitos sofrimentos, entre eles, dor e deficiências físicas e mentais, para sempre.

Essas situações do mundo antagônico em que vivemos, somados à disseminação do terrorismo, podem ser aproveitados para o nosso bem. Países desenvolvidos devem assumir suas responsabilidades para com os demais, buscando soluções emergenciais enquanto há tempo. A conscientização deve partir de cada um de nós, e isso não é balela de auto-ajuda!

É interessante o comportamento do seu humano. Só nos preocupamos quando o perigo bate à porta de casa. Enquanto os miseráveis das favelas não descem dos morros e tacam fogo em ônibus e carros, ninguém se importa com a situação precária e desumana em que vivem. Enquanto uma onda gigante não arrasta as nossas casas litorâneas, não nos preocupamos em avaliar o grau de degradação da natureza e como fazer para reverter tal situação. Culpa do tal “pecado original” que nos deixou à mercê de forças do mal? Do primata que começou essa construção social perversa no Neolítico? De quem é a culpa afinal? Talvez essas perguntas nos revelem o verdadeiro culpado, que para não enxergar a verdade, tenta incessantemente arrumar responsáveis para os seus próprios erros. A culpa é nossa!

Cada um deve assumiu sua parcela de responsabilidade pela atual situação do mundo e de maneira alguma tentarmos nos eximir das nossas obrigações. Há quanto tempo você não visita, pessoalmente, uma instituição filantrópica de idosos, crianças, doentes? Há quanto tempo você não se compromete com uma pequena parcela da sua receita mensal em algum programa social? Há muito tempo, né? Defender a pena de morte é muito fácil, o difícil é se oferecer para ministrar uma oficina(ensinar alguma profissão) aos moradores de favelas. Defender o aumento na sentença máxima de prisão é fácil, o difícil é tomar alguma providência eficaz que contribua para a erradicação do analfabetismo. Reforma no ensino superior é moleza, difícil mesmo é reformular a educação de base...

Será que consegui falar positivamente de 2005? Sei lá, mas você já leu até aqui mesmo e sei que não pararia perto da conclusão. Acreditem, não sou o único a ver quão 2005 foi penoso. Vi uma grife de roupas que espalhou outdoors pela cidade com a simpática frase: “Fuck You 2005”. Ela está certa, vamos dar uma banana pro ano velho e esperar que 2006 seja o ano das mudanças.

Desejo, sinceramente, que os países poluidores ratifiquem o protocolo de Kyoto, que reformas aconteçam no governo, que possamos ter mais compaixão com os que nos rodeiam, que - Osama e Bush assumam o “caso” e se casem na Inglaterra, selando um acordo de paz... Não resisti(rsss)... - Mas enfim, que o mundo fique um pouco melhor com a nossa simples, porém significante iniciativa.

Como estaremos no final de 2006? Quais serão as perguntas? Serão as mesmas? Não aprenderemos com nossos erros? Continuaremos intolerantes com as opiniões alheias, indiferentes com as catástrofes naturais?

Só Deus sabe! Porém de uma coisa eu sei, - eu farei a diferença! Alguém me acompanha?



enviada por Cayo Matheus






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