Prosa Poética e Crônicas


Meu Perfil

Eu indico!

Arquivos





08/11/2005 12:52

O TAL SUPERÁVIT PRIMÁRIO

A coisa está boa, pelo menos do ponto de vista de quem precisa achar assuntos para escrever. Os cronistas, articulistas, e assemelhados não estão padecendo pela falta de assunto, talvez pelo excesso.

Presenciamos um momento de extrema conturbação em nossa nação. O cenário político continua um caos, as nossas estradas destroçadas, o ensino superior em greve há mais de dois meses, o ensino básico à revelia, a saúde em uma situação absolutamente deplorável e continuamos com a maior taxa básica de juros do mundo e a 17ª maior dívida externa do planeta. Pra piorar a situação, agora temos “carrapatos assassinos”, gripe aviária e febre aftosa, esta última apelidada de febre “à Feitosa”, em homenagem ao boêmio chifrado pela falsa beata Creusa na já finalizada novela “América”. Não vou nem falar no crescimento econômico em relação à média mundial para que os amigos não entrem em desespero. Paradoxalmente os nossos governantes só sabem falar no tal superávit primário.

Opa, você não sabe o que significa isso? Bem vindo ao clube, pois provavelmente 98% dos brasileiros também não(estatística tirada de uma fonte absolutamente segura – de trás da minha orelha). Bom, ultimamente temos ouvido muito a respeito do superávit primário e na maioria das vezes não prestamos muita atenção nas explicações dos economistas.

Basicamente desde 1999, com a mudança da política cambial (disparidade do Dólar em relação ao Real e a implementação da política de câmbio flutuante) juntamente com a diminuição da entrada de capitais especulativos, o Brasil convive com os chamados superávits primários: receitas menos despesas, excluído o pagamento de juros da dívida, - segundo a definição oficial. Na prática isto significa que o setor público vem realizando considerável “esforço fiscal” no intuito de “fazer caixa” para o superávit primário, ou seja, vem deixando de investir em áreas sociais prioritárias como saúde, educação, saneamento e habitação para juntar o que podemos chamar de “seguro” para o capital financeiro especulativo. Isso quer dizer que lá fora, os investidores precisam ver um elevado superávit primário para concluir que a economia do país está de vento em polpa, e que, em tese, não teremos problemas para pagar os juros da dívida, diminuindo assim os riscos nos investimentos.

Agora deu pra entender? Não?! Sendo um pouco mais direto, podemos dizer que o superávit primário é inversamente proporcional à qualidade de vida da população, isto é, quanto maior o superávit primário, menor é o investimento no país. Isso pode ser claramente comprovado pela discussão em pauta num jantar no dia 6 de julho no qual estavam presentes os ministros da Fazenda, Antonio Palocci e do Planejamento, Paulo Bernardo, além de empresários, banqueiros e políticos. Ideologias à parte, a pauta do encontro foi a redução dos gastos públicos como forma de ampliar o superávit primário.

Enfim, enquanto continuarmos com uma política econômica elitista(parece até papo da antiga esquerda) viveremos sob um maquiavélico sistema imperialista, que explora o povo brasileiro a fim de pagar os juros da dívida pública, remunerando a agiotagem financeira e deixando o país à deriva.


Aquele abraço!
Cayo.

enviada por Cayo Matheus






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)