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02/09/2005 16:06
ESCALA DE VALORES

Absolutamente deplorável a situação dos moradores, que ainda se encontram em Nova Orleans, a cidade mais afetada pelo furacão Katrina. Vamos analisar sob outro ângulo, diferentemente do da imprensa, a situação desta crise norte-americana.
Com parentes mortos, sem ter onde se abrigar e com o agravante da fome, muitos cidadãos deixam de lado a premissa ética de não furtar e são levados pelo instinto de sobrevivência o que certamente fala mais alto nessas horas. Os meios de comunicação noticiam que “saqueadores oportunistas se aproveitam da situação”. O interessante é que eles não mostram as pessoas entrando em supermercados (os poucos não alagados) para pegar comida. Numa área com intenso risco de desastres naturais como Orleans, seguros em lojas, supermercados e casas são absolutamente normais, exceto entre a população menos favorecida economicamente - esta que se encontra ainda na cidade destruída. Portanto, numa crise como esta, qual a importância no fato de as pessoas “saquearem” comidas, roupas e etc, que não foram destruídas pelo furacão ou que ainda não foram levadas pela água? Vai mudar em alguma coisa no prejuízo das seguradoras? Estamos falando de coisas mínimas, mas com certeza não é o que pensa o presidente norte-americano.
Em meio à surreal e incrível cena de desespero de pessoas no meio do caos vagando pela cidade há mais de três dias, depois que o furacão lhes tirou tudo o que tinham, o presidente Bush, junto com a governadora da Louisiana, Kathleen Blanco, só pensam em advertir os saqueadores, com frases, como por exemplo, a proferida ontem: "Estamos mandando soldados, eles têm metralhadoras M-16 carregadas e sabem como atirar e matar e acredito que farão isso ".
Esse Jovem Colunista aqui não é ignorante, sei que a região é cheia de gangues e muitas delas estão se aproveitando da situação, muitas vezes até impedindo a chegada de ajuda aos necessitados, pelo fato de que esta poderia vir a inibir suas ações. Em contrapartida levar 50 mil militares, incluindo atiradores de elite, que estão a postos em cima dos prédios, com o objetivo principal de coibir a ação dos criminosos não é uma boa estratégia. O que deveria ser feito é investir os recursos disponíveis, primordialmente, na tentativa de salvar o máximo de vidas, e em segundo plano cuidar daqueles para que sejam detidos. Conter os oportunistas é necessário, porém não prioritário.
A arrogância do presidente Bush é tão desprezível quanto suas ações em tempos de crise. Ao saber que Hugo Chavéz doou 1 milhão de dólares para ajuda de custo na força tarefa americana na região afetada, ele foi à televisão e disse uma frase que resume sua autoritária e arrogante autosufuciência, demonstrando, que a soberba é seu pecado capital favorito: “nós não pedimos ajuda”.
Do jeito que as coisas vão, o dia que os EUA realmente precisarem e não tiverem da onde tirar, será que alguém vai ajudar? O mundo dá voltas... Um dia se está por cima, no outro...
Menos presidente Bush... menos...



enviada por Cayo Matheus






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